Três dias atrás tive o prazer de contemplar mais uma primavera! Pois é, 20 anos com corpinho de 16 e carinha de 14. Duas décadas de vida pensante...
Parabéns a todas as capricornianas! E como boa caprina, eis o que eu encontro no universo .com:
Por Vinícius de Morais
A capricorniana é capricornial
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de capricórnio
Por que ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até o ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isso nos capricorniamos.
Não conhecia esse poema de Vinícius, mas amei. Quem me conhece sabe que é uma parte do meu auto-retrato!
Beijos caprinos meticulosos!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Círculo Vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera ! tivesse eu aquela enorme,
aquela claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?
Machado de Assis
Esse poema de Machado me remete a uma situação eternamente presente na espécie humana, sempre descontente. Quem nunca desejou ser, por algum motivo, ou por vários, outra pessoa, que atire a primeira pedra. A inveja não deveria ser um pecado, mas uma característica inerente ao ser humano. Talvez ela não seja uma virtude, porém não pode ser considerada absolutamente ruim e decadente. Simplesmente não se deve sair por aí apontando para ela como se fosse coisa absurda, porque todo o mundo a compartilha camufladamente.
Que fique claro, entretanto, que tudo na vida em excesso, coisas boas ou não, passam da medida. Não cabem, não encaixam, não fundem à felicidade. Concordo em dizer que a vida é grande bobagem sim, que nós complicamos porque exigimos cada vez mais aquilo que não se vai ter ou ser nunca. A verdade é que tem que ser vivida.
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera ! tivesse eu aquela enorme,
aquela claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?
Machado de Assis
Esse poema de Machado me remete a uma situação eternamente presente na espécie humana, sempre descontente. Quem nunca desejou ser, por algum motivo, ou por vários, outra pessoa, que atire a primeira pedra. A inveja não deveria ser um pecado, mas uma característica inerente ao ser humano. Talvez ela não seja uma virtude, porém não pode ser considerada absolutamente ruim e decadente. Simplesmente não se deve sair por aí apontando para ela como se fosse coisa absurda, porque todo o mundo a compartilha camufladamente.
Que fique claro, entretanto, que tudo na vida em excesso, coisas boas ou não, passam da medida. Não cabem, não encaixam, não fundem à felicidade. Concordo em dizer que a vida é grande bobagem sim, que nós complicamos porque exigimos cada vez mais aquilo que não se vai ter ou ser nunca. A verdade é que tem que ser vivida.
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