Mariana caminhava sozinha e não sabia o seu destino. Também, nem queria saber. Qualquer destino que não fosse aquele que teria ao lado daquele miserável já era digno. Caminhava devagar, como que pra dá tempo ao tempo, a fim de que ele a presenteasse com uma idéia.
Mesmo assim, sua mente era um emaranhado de pensamentos. Antes confusos, agora se encaixavam de forma tão sublime como um enorme quebra-cabeças inteiramente pronto, peça à peça no seu exato lugar.
A jovem trazia no peito uma sensação nunca experimentada antes. Hora tomada por um repúdio sobre si mesma, por uma ira, hora desesperada quando lhe ocorria todo o processo de um recomeço a qual era obrigada a pensar, depois de cinco anos acorrentada ao homem que achava ser quem não se era.
Pedro, à primeira vista, parecia um cara simples, a olhava nos olhos em intervalos curtos, parecia que estava não somente a fim, mas que sabia de algum modo quem era Mariana, o que sentia e o que buscava. Ela caiu na armadilha da própria idealização, e por isso é culpada e paga agora pelo vacilo. Não apenas um vacilo, mas pelo que ele causou. Impressionante como um descuido age. Está sem véu, mas de alguma maneira não é nítido.
Quando a jovem aprendiz desligou-se dos perigos e pôde se entregar sem medo, eis que ele aparece. O seu homem não era mais seu, não podia mais aconchegar-se naquele olhar porque ele mudou, conseguiu ser igual aos outros olhares superficiais. Pior, o tempo desviou o olhar que Mariana tinha certeza ser seu.
Na verdade, pensara caminhando que fizera tudo errado. Tudo não, pois tudo é muito e ele fez a maior parte da tragédia. O drama tinha ficado por sua parte. Não tinha como não haver espaço para o drama nessa história. Só não ia ser por parte de Pedro que ele viesse à tona.
Veio à cabeça, quase que por epifania, que talvez admirasse esse cara. Ele se sensibilizava com as coisas certas nas horas certas, nunca quando achava-se certo, o orgulho o impedia de extender a mente para que percebesse outras perspectivas. Mas não, a única que ele conseguia ver era adotada e eleita irrevogável. Além disso, sempre teve o pé no chão, foram raras a vezes em que se permitia sonhar alto, e quando ela o fazia, ele a puxava de volta para realidade, como se, no fundo, quisesse salvá-la de toda confusão a qual estava imersa agora. Nunca havia pensado nisso durante todo esse tempo.
Tudo o que precisava agora era do orgulho desse cara. Bem mais que isso, precisava tirar forças de algum lugar de dentro ou de fora de si e seguir o caminho. Não podia parar e nunca, nunca, voltar atrás.
Pedro não era miserável por traição, vício ou agressão. Era miserável por ter mostrado o quão fraco era o seu sentimento por Mariana, e, principalmente por ter deixado o tempo roubar o olhar que ela confiou como seu. O olhar fez surgir o amor, quebrou-se o medo...
E de repente pensou: de que vale toda essa ilusão quando se descobre que é ilusão?
Mariana esboçou um sorriso de lado, e continuou o caminho... Dessa vez sabia o seu destino. Não parou, e jamais voltou atrás, pois já sabia o que tinha lá. Buscava agora o desconhecido.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Vá embora logo, ano velho. É tempo de renovação e esperança!
Nunca mais eu estive por aqui, não sei porque hoje, agora, decidi escrever alguma coisa. Talvez porque o ano esteja acabando, o Natal já é amanhã ou meu aniversário esteja se aproximando com tamanha pressa. Talvez nada disso seja o motivo, ou talvez sejam todos eles.
O nosso mundão aí fora sofrendo, com todas essas enchentes causadas não pelas chuvas, mas sim pela carência de infra-estrutura no nosso Brasil, meu povo tendo os corações mastigados por notícias sangrentas e absurdas, sofrendo junto com a natureza, pelo descaso e pela ambição.
E mesmo com tudo isso acontecendo, mesmo com uma efervescência assombrosa do outro lado da minha parede, pra gente ver como o ser humano é egoísta, estou eu aqui a escrever sobre mim. Meus momentos, minhas angústias, minhas alegrias e curiosidades.
Capricorniana que sou, leal, responsável, franca... várias vezes até muito franca... e por fim um tanto velha e ranzinza, trago não só a culpa que carrego nos ombros por fazer parte da única espécie que não se preocupa com o futuro e perpetuação dela mesma, pelo contrário, contribui para o próprio desaparecimento, mas a culpa por conseguir julgar o que está errado e ficar tentando revolucionar o mundo sentada no sofá assistindo o jornal. Não ter consciência de como as estruturas de um sistema funcionaram durante a história e funcionam hoje ao seu redor não me parece tão inaceitável do que apenas criticar tudo a todo tempo e não se mover na busca por mudanças.
Acho que falta no meu povo, alvo fácil de manipulações, um pouquinho de flexibilidade, um esforço coletivo para enxergar mais adiante, nas entrelinnhas, procurar definir bem o papel de cada espécie no planeta, incluir-se no ecossistema eliminando a superioridade ilusória e infantil. Deve haver um jeitinho brasileiro de ver o outro lado da moeda, e que o que parece correto talvez possa não ser...
Por favor, não podemos descartar mais as opiniões de ambientalistas e especialistas da natureza sobre as consequências da expansão das obras humanas, não devemos rebaixar tais opiniões e ridicularizá-las como a mídia faz.
E por falar que sinto-me culpada por olhar muito para meu umbigo, não posso fugir da minha natureza, muito menos quando estou perto de completar 20 anos! Não são mais 18 aninhos, 19 aninhos, são 20 anos! Duas décadas. Sempre entendi quando dizem que a vida é muito curta e pequena. Pois é assim mesmo, os rótulos pesam mais que o próprio tempo, incrível.
Nesse ano de 2009 eu quero MENOS. Menos tragédias, menos descaso, menos atropelos, menos mortes, menos pobreza, menos tumulto. Menos ódio, menos humilhação, menos preocupação, menos fome, menos AIDS. Eu quero menos futilidade, menos tristeza, menos perdas, menos disputa, menos indiferença.
Eu só quero MAIS AMOR. Com essa palavrinha misteriosa o ser humano se restabelece, se renova, anda no caminho certo sempre.
Estou me despedindo no embalo da atmosfera instigante que envolve a promessa de um ano Mais.
Um abraço e um beijo de Natal e Ano Novo!
Assinar:
Comentários (Atom)