quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Aquele velho caderno de devaneios:

Sempre ouvi das pessoas próximas, principalmente aquelas que me conhecem de verdade, sobre a minha fragilidade e excesso de sensibilidade. Sou mesmo do tipo que não revido sem lágrimas nos olhos e aperto no coração, sou das que me encolho no quarto e morro para o mundo, meu problema é que eu penso e sinto demais. Descobri, de tanto pensar, que talvez seja através da própria fragilidade a minha capacidade incansável de me reinventar a cada queda, de me reencontrar a cada descompasso, de descansar a alma vencida, desvencilhar dos conflitos e procurar novas formas de distração. E assim me vi forte tantas vezes durante o caminho, calcei sapatos novos com calos antigos, confiante, de algum modo que desconheço racionalmente, de que um dia sarariam. Sim, claro, colecionei cicatrizes e arranjei mais calos, porque ainda estou aqui. Ainda ei de experimentar muitas dores, e que venham todos os meus (re)encontros comigo e o aprendizado seja eterno enquanto dure a trilha. Viver deve ser bem isso mesmo, fraquejar e saber fortalecer. Nunca fui a favor de jogos, armaduras e esconderijos. Prefiro a cara a tapa, a queda livre, os demônios escancarados e os amores exagerados. Descobri, enfim, que não posso resolver todos os problemas do mundo, nem mesmo todos os meus, mas posso arriscar tudo o que eu sou em nome do que acredito. Ou simplesmente deixar pra lá.

domingo, 27 de junho de 2010

Carta Triste

É uma mistura de sensações o que sinto agora. Não é fácil de descrever, mas com certeza todo mundo já passou por isso uma vez na vida, ou ainda vai passar. É um pouco como passar uma vida inteira em um lugar, construir amigos, lutar para sobreviver, sofrer com as dificuldades e depois ter que se mudar e começar tudo de novo. Dessa vez, sozinha. Não que não tenha, muitas vezes, lutado e persistido só. Mas agora é diferente, eu insistirei em mim, não mais em nós, não espero mais retribuição de ninguém, nem quero que isso atrapalhe meus planos. Aconteceu assim, de um dia para o outro, quase impossível de acreditar. Nem eu acredito o quanto tudo mudou tão rápido, sem que eu pudesse perceber. A verdade é que eu já sabia que mais cedo ou mais tarde essa mudança de rumo iria acontecer. Nenhuma situação baseada em angústia e frustração dura para sempre, simplesmente porque sofrer cansa. A imaturidade de não saber discernir aquilo que tem condições de prosperar, a inocência de tentar de novo sempre, de adormecer as humilhações, acreditar em contos de fada, serviu apenas para dificultar o esclarecimento daquilo que sempre esteve lá, querendo aparecer. Difícil é cortar o laço de vez, sem se lembrar do início, das coisas boas, desaparecer e deixar aquilo que me pertenceu, tudo o que foi nosso. Por outro lado penso nas coisas que nós deixamos de fazer, na tentativa ilusória de um mundo auto-suficiente, e sinto falta delas. Principalmente agora, ao ponto que deixamos chegar. É insuportável. Não mais uma alegria, um momento leve. Não há conversa, não há comunicação, entendimento. E não vejo uma possibilidade de melhorar juntos, assim, um fazendo mal ao outro, sempre em guerra. O tempo responderá a todas as nossas questões, tudo ficará claro. E quem disse que ia ser fácil? Será um caminho complicado, com direito a momentos de indecisão, ou até mesmo de arrependimento, porque foi de verdade. Doerá o tanto para que eu me conheça mais, me torne independente no sentido de só precisar de mim mesmo para ser feliz, antes de mais alguém na minha vida. É necessário fazer a travessia de Fernando Pessoa, abandonar o velho, as roupas usadas que não lhe servem mais, para que não fiquemos para sempre à margem de nós mesmos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DE GOL EM GOL

Época de Copa do Mundo todo o mundo fica mais inspirado. Eu, particularmente, amo esse clima de despreocupação, de vibração, energias positivas vindas de todo o globo terrestre. Sem exagero, a Copa é o evento de maior dimensão. Quatro anos é realmente muito tempo de energias retidas, acumuladas, prontas para serem expelidas na maratona de progressivas explosões. A última e maior é o título.

É impossível de explicar a sensação de patriotismo em uma Copa do Mundo, mesmo que esta seja uma experiência que pouquíssimas pessoas podem acompanhar ao vivo. Digo ao vivo no sentido de presença, não no sentido de assistir pela televisão em tempo real. Um mês depois da Copa todo mundo esquece as bandeiras, os elogios e principalmente o orgulho. Reclamam do emprego, do governo, da violência presente nas notícias dos jornais. “Esse país de merda, sem oportunidades!”. Brasil, o país do futebol. Exatamente porque é somente nesse assunto que o país faz direito, segundo os brasileiros. Esse monte de revolucionários de sofá, reclamando sem parar do alto de suas poltronas. Claro que eu sou um deles, fazer o que? Pelo menos eu tenho consciência disso (que bom).

Todos amam suas nações acima de qualquer coisa nesta época, mas apenas nesta época. E eu não sou diferente, quer dizer, amo meu Brasil sempre, mas na Copa do Mundo amo muito mais. Sou louca, fervorosa, compro corneta, chapéu, bandeira, camisa, mesmo sem saber como funciona um jogo de futebol. Nunca entendi nada, e, ao contrário do que muitas mulheres dizem, eu não assisto futebol por causa das pernas dos jogadores. Coisa mentirosa essa de dizer que mulher tem tara em perna. Homem é que tem dessas coisas, mulher gosta do jeito, do olhar. Claro que não pode ser um feio, sem dente, fedorento, bafento, miserável em sua fôrma divina. Mas pernas? Mulheres que não sabem nada de futebol assistem aos jogos apenas porque todo o mundo, literalmente , assiste, porque o namorado assiste, porque as amigas assistem (por causa de amigos), pelas condições que uma boa partida de futebol favorece. Cerveja, amigos, paquera, alegria e a torcida que possibilita convergências e divergências interessantes. Claro que tem mulheres que assistem porque realmente gosta, entende do assunto mesmo. Mas ainda são exceções, infelizmente.

É complexo falar de um assunto que não se entende nada porque você acaba falando um monte de bobagens. Mas já que o blog é meu e ninguém tem nada a ver com isso, insisto em devanear publicamente.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um breve desabafo

Depois de tanto tempo sem escrever, eis que entre as teias de aranha, eu apareço. Gosto de escrever assim, sem pressa, sem pressão, só quando eu quero. Realmente nunca mais escrevi. Nem antes das férias. Como uma pessoa que cursa Jornalismo não escreve desde tanto tempo?
Bom, ando meio sem rumo na vida. É, sabe, quando as pessoas falam que a vida delas estão sem rumo, geralmente estão mesmo. Ou aconteceu alguma tragédia familiar, ou são viciados em crack, ou bandidos de alta periculosidade arrependidos em suas celas 4 x4. Mas não, eu ainda não me encaixo em nenhuma dessas categorias [Deus é Pai!]. A verdade é que estou desgostosa com a minha faculdade em vários aspectos. Para melhor me entender, vou fazer um resumo da minha inquietação: o que eu aprendi durante 3 anos de curso? Eu cato, vasculho minha pobre cabecinha e não vejo resposta. Pelo menos não a que eu esperava ter quando entrei na Universidade Federal de Alagoas. Nooossa, pensei que ia sair de lá uma leitora devota de Peirce, Ariano Suassuna, Umberto Eco, Karl Marx, Nietzsche, Lúcia Santaella... Imaginei a minha cabeça uma enciclopédia precisa e extraordinária após meu Trabalho de Conclusão de Curso [o famoso e cabuloso TCC], mas eu já sinto o quanto vai ser difícil pra conseguir concluir. Que ingenuidade a minha, para concluir não, para começar! Escolher tema, delimitar tema e essas paradas cansativas me matam só de pensar.
Analisando o curso por esses três anos que passaram [e muito rápido, rápido demais, diga-se de passagem], percebi que o papel dos professores é acelerar os assuntos e enrolar os alunos. Viagens de um mês [ou seja, um mês sem aula], trabalhos com a metodologia de ensino médio, muita, bastante, teoria, mas nenhuma prática. Para completar a situação miserável dos aspirantes a jornalistas, o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão. Mas isso aí já é piada, nem precisamos comentar. Todas as profissões deveriam exigir diplomas, ou então extinguir os cursos superiores, que ao meu ver seria só perda de tempo [ e alguns, dinheiro também].
Então estou eu aqui, prestes a começar meu último ano de faculdade, sabendo que vou ter que correr contra o tempo, procurar saber das pendências acumuladas durante todo esse tempo na Ufal [ ô universidadezinha pra inventar procedimentos burocráticos, totalmente desnecessários!]. A partir daí já tô sabendo que esse ano vou sofrer mais do que sovaco de aleijado!


Ah, mas também, meus caros, quando eu terminar, sabe, c-o n- c l u- i r, f i- n a- l i- zar este curso eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo todo!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A mágica da caixinha preta

A televisão é um meio de comunicação presente na maior parte dos lares em toda parte do mundo. Ela tem poderes inimagináveis sobre as pessoas que a assistem, ou seja, consomem suas informações como produtos. A influência que a televisão exerce sobre o indivíduo é decisivo na construção da sua identidade e no seu posicionamento em relação aos fatos que acontecem no mundo.
O conteúdo da televisão condiciona o pensamento das pessoas, os atrai para fatos específicos, estrategicamente escolhidos de acordo com interesses corporativos midiáticos, e retira a capacidade crítica dos telespectadores. Além de alienante, é extremamente perigosa quanto a formação da opinião pública, por ser antidemocrática, já que poucos têm voz e poder para usurfruir dos canais e programas. Este meio de comunicação desenvolveu uma função fundamental para a mautenção do sistema capitalista. Ao invés de informar, deforma. Omite e distorce a realidade.
A fim de anestesiar o pensamento do cidadão, a mídia televisiva investe em programas vazios, sem substância cultural e produtiva, repleto de atrações de linguagem pobre e nenhuma contribuição para o pensamento crítico. Exemplos de programas desse tipo é o Faustão, Caldeirão do Huck, Domingo Legal, entre outros. O que eles fazem é sugar o tempo produtivo do indivíduo com temas bobos e sensacionalismo, distorcendo o foco daquilo que realmente importa e deve-se enxergar.
Os assuntos ligados a política interna e externa são colocados em segundo plano, o que acontece, consequentemente, com a conscientização para situações de interesse do povo. Em um jornal de abrangência nacional, por exemplo, dá-se muito mais espaço a catástrofes, futebol, moda e celebridades do que para o que acontece na política. Essa é a questão da agenda da TV. Existe inúmeros fatos que são hierarquizados de acordo com interesses econômicos, ou mesmo políticos. Muitos políticos são donos de canais de televisão, o que compromete ainda mais a credibilidade do meio de comunicação.
Novelas e programas humorísticos deixam ainda pior a televisão. Esses tipos de programação poderiam mudar a mente das pessoas carentes de informação e cultura, que possuam como única fonte de conhecimento a TV. Assim, o papel da televisão seria, de fato, ajudar a contruir um país consciente da sua situação, um país ativo quanto às mudanças ocorridas e as que virão a acontecer. Porém, as novelas ditam comportamentos: como agir, como se portar, como se vestir, como pensar. Deslumbram a massa sobre qualquer assunto, projeta nas mentes verdades absolutas para aqueles que são desprovidos de senso crítico e informação, e que não tem opiniões formadas sobre um dado assunto por não conhecê-lo total ou parcialmente. Se na novela existe um homossexual que se tornou heterossexual, então, para aquela família que leiga, existe “cura” para aqueles que não se encaixam nos moldes da sociedade. E quem dita os moldes da sociedade? A televisão tem um poder enorme de implantar conceitos na mente das pessoas.
Ao mesmo tempo que o discurso televisivo se posiciona a favor da liberdade de expressão, despreza o preconceito contra homossexuais, deficientes físicos, ou contra quaisquer pessoas que fogem dos parâmetros ideais da sociedade, como pessoas acima do peso, desprovidas do tipo físico imposto pela indústria da beleza, a mídia televisiva entra em contradição com o que prega. É hipócrita quando em suas programações de controle social vê-se muito mais, principalmente nos programas humorísticos, a autoafirmação desses preconceitos, que partem dos ídolos da massa. O humor, na televisão, se faz com base na descriminação. Só é engraçado aquela mulher muito gorda, que quer ser modelo e não corresponde ao esteriótipo exigido, aquele gay que corre atrás do príncipe encantado, etc.
A televisão incita violência, falsos valores como individualismo, competição, egoísmo, banalização das armas, consumismo, o ter para ser, vaidade, banalização da miséria. A sensação do cidadão de que determinada situação nunca vai mudar reforça a idéia de que a mídia controla a opinião pública sobre os assuntos em geral, principalmente aqueles de seu interesse. Por esse motivo, a televisão aliena e despolitiza as pessoas, que não têm acesso a informações que podem determinar o despertar da consciência crítica pensante e que absorvem os conteúdos deformados transformando-os em verdades incondicionais.
A mídia televisiva é controladora das verdades e informações importantes para a formação das pessoas, porque, para ela, não interessa o cidadão culto, capaz de discernir a retórica da verdade. Interessa sim aquele cidadão que apenas move a cabeça em sinal positivo, engole o que é transmitido e concorda sem pestanejar com as informações superficiais.
Essa mídia corporativa não é independente. Ela está a mando de quem a controla, sejam eles políticos, conglomerados financeiros, grandes empresas, pseudo-igrejas e de quem a financia, como bancos e multinacionais. Portanto, dá para imaginar que toda informação que vai de encontro com os interesses desses grupos e da ordem estabelecida é censurada. Não se fala nas tarifas bancárias, nas margens de lucro absurdas das multinacionais às custas, muitas vezes, da saúde do povo, não se explica como a máfia financeira controla o mundo. Nada é questionado. Por que a população recebeu educação midiática inteiramente comprometida com a manipulação da verdade, desprovida de consciência crítica e de direitos democráticos para o acesso a televisão. A educação e a televisão deveriam ser públicas, já dizia Pierre Bourdieu. Atualmente, as duas se confundem. O povo recebe a educação da mídia e não tem capacidade crítica de contestar o que lhes é dito, por falta de estudo e assistência educacional.