A televisão é um meio de comunicação presente na maior parte dos lares em toda parte do mundo. Ela tem poderes inimagináveis sobre as pessoas que a assistem, ou seja, consomem suas informações como produtos. A influência que a televisão exerce sobre o indivíduo é decisivo na construção da sua identidade e no seu posicionamento em relação aos fatos que acontecem no mundo.
O conteúdo da televisão condiciona o pensamento das pessoas, os atrai para fatos específicos, estrategicamente escolhidos de acordo com interesses corporativos midiáticos, e retira a capacidade crítica dos telespectadores. Além de alienante, é extremamente perigosa quanto a formação da opinião pública, por ser antidemocrática, já que poucos têm voz e poder para usurfruir dos canais e programas. Este meio de comunicação desenvolveu uma função fundamental para a mautenção do sistema capitalista. Ao invés de informar, deforma. Omite e distorce a realidade.
A fim de anestesiar o pensamento do cidadão, a mídia televisiva investe em programas vazios, sem substância cultural e produtiva, repleto de atrações de linguagem pobre e nenhuma contribuição para o pensamento crítico. Exemplos de programas desse tipo é o Faustão, Caldeirão do Huck, Domingo Legal, entre outros. O que eles fazem é sugar o tempo produtivo do indivíduo com temas bobos e sensacionalismo, distorcendo o foco daquilo que realmente importa e deve-se enxergar.
Os assuntos ligados a política interna e externa são colocados em segundo plano, o que acontece, consequentemente, com a conscientização para situações de interesse do povo. Em um jornal de abrangência nacional, por exemplo, dá-se muito mais espaço a catástrofes, futebol, moda e celebridades do que para o que acontece na política. Essa é a questão da agenda da TV. Existe inúmeros fatos que são hierarquizados de acordo com interesses econômicos, ou mesmo políticos. Muitos políticos são donos de canais de televisão, o que compromete ainda mais a credibilidade do meio de comunicação.
Novelas e programas humorísticos deixam ainda pior a televisão. Esses tipos de programação poderiam mudar a mente das pessoas carentes de informação e cultura, que possuam como única fonte de conhecimento a TV. Assim, o papel da televisão seria, de fato, ajudar a contruir um país consciente da sua situação, um país ativo quanto às mudanças ocorridas e as que virão a acontecer. Porém, as novelas ditam comportamentos: como agir, como se portar, como se vestir, como pensar. Deslumbram a massa sobre qualquer assunto, projeta nas mentes verdades absolutas para aqueles que são desprovidos de senso crítico e informação, e que não tem opiniões formadas sobre um dado assunto por não conhecê-lo total ou parcialmente. Se na novela existe um homossexual que se tornou heterossexual, então, para aquela família que leiga, existe “cura” para aqueles que não se encaixam nos moldes da sociedade. E quem dita os moldes da sociedade? A televisão tem um poder enorme de implantar conceitos na mente das pessoas.
Ao mesmo tempo que o discurso televisivo se posiciona a favor da liberdade de expressão, despreza o preconceito contra homossexuais, deficientes físicos, ou contra quaisquer pessoas que fogem dos parâmetros ideais da sociedade, como pessoas acima do peso, desprovidas do tipo físico imposto pela indústria da beleza, a mídia televisiva entra em contradição com o que prega. É hipócrita quando em suas programações de controle social vê-se muito mais, principalmente nos programas humorísticos, a autoafirmação desses preconceitos, que partem dos ídolos da massa. O humor, na televisão, se faz com base na descriminação. Só é engraçado aquela mulher muito gorda, que quer ser modelo e não corresponde ao esteriótipo exigido, aquele gay que corre atrás do príncipe encantado, etc.
A televisão incita violência, falsos valores como individualismo, competição, egoísmo, banalização das armas, consumismo, o ter para ser, vaidade, banalização da miséria. A sensação do cidadão de que determinada situação nunca vai mudar reforça a idéia de que a mídia controla a opinião pública sobre os assuntos em geral, principalmente aqueles de seu interesse. Por esse motivo, a televisão aliena e despolitiza as pessoas, que não têm acesso a informações que podem determinar o despertar da consciência crítica pensante e que absorvem os conteúdos deformados transformando-os em verdades incondicionais.
A mídia televisiva é controladora das verdades e informações importantes para a formação das pessoas, porque, para ela, não interessa o cidadão culto, capaz de discernir a retórica da verdade. Interessa sim aquele cidadão que apenas move a cabeça em sinal positivo, engole o que é transmitido e concorda sem pestanejar com as informações superficiais.
Essa mídia corporativa não é independente. Ela está a mando de quem a controla, sejam eles políticos, conglomerados financeiros, grandes empresas, pseudo-igrejas e de quem a financia, como bancos e multinacionais. Portanto, dá para imaginar que toda informação que vai de encontro com os interesses desses grupos e da ordem estabelecida é censurada. Não se fala nas tarifas bancárias, nas margens de lucro absurdas das multinacionais às custas, muitas vezes, da saúde do povo, não se explica como a máfia financeira controla o mundo. Nada é questionado. Por que a população recebeu educação midiática inteiramente comprometida com a manipulação da verdade, desprovida de consciência crítica e de direitos democráticos para o acesso a televisão. A educação e a televisão deveriam ser públicas, já dizia Pierre Bourdieu. Atualmente, as duas se confundem. O povo recebe a educação da mídia e não tem capacidade crítica de contestar o que lhes é dito, por falta de estudo e assistência educacional.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
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